
O “unitard”, uma espécie de macacão collant que foi vestuário básico dos anos 80 e agora é uma das opções favoritas de nomes como Lady Gaga, Rihanna e JLo, voltou a ter seu momento no mundo da moda.
No SoulCycle, uma academia de ciclismo e “spinning”, em NovaYork, uma dessas peças, preta com camuflagem lateral (elaborada para a companhia pela veterana da moda de trajes de banho Stephanie Hirsch) esgotou-se em um dia. Na varejista de roupas American Apparel, de Los Angeles, uma peça feita de renda floral mostrou-se tão popular que a companhia decidiu lançar outra com cores especiais para a primavera.
A ocasião anterior em que as peças haviam se tornado tão onipresentes havia sido com a cantora Grace Jones, com Lynda Carter e suas vestimentas de Mulher-Maravilha e com Sheena Easton e sua predileção por couro vermelho. Agora, o traje está de volta: a Threeasfour colocou uma versão preta com redes e presilhas para os dedos dos pés em seu desfile de primavera; Betsey Johnson tem um, acrescido de uma jaqueta com estampa de leopardo e até a Maison Martin Margiela mostrou um collant de alta-costura: uma peça única, preta, de mangas largas, adornada com correntes de centenas de flores tridimensionais brancas e pretas.
“Tudo isso faz parte do ciclo da moda”, diz Colette Wong, chefe do departamento de moda do Fashion Institute of Technology, de Nova York. De muitas maneiras, o “unitard” é simplesmente a versão extrema do macacão, um estilo que cresceu de popularidade já há algumas temporadas.
Mas o que funciona para Lady Gaga pode não ser a melhor ideia para o resto de nós. Lauren Lipton, uma escritora de tendências de estilo com quarenta e poucos anos, descobriu um traje de casimir a enquanto fazia compras na internet. “É bonito e sexy de certa forma. É fácil e você aparenta estar bem composta. Mas, então, eu percebi: sabe aquela mulher que você vê no metrô com um corpo maravilhoso e um longo cabelo loiro, mas que, quando se vira, você pensa, ́nossa, ela é velha ́? Bem, no fim das contas, eu estou a um ́unitard ́ de ser essa mulher.”
Para a estilista Daisy Lewellyn, que trabalha em Los Angeles, “os unitards ficam melhor debaixo de peças volumosas”. “Algo justo sobre algo justo não é a melhor solução para o corpo médio da mulher.” Lewellyn ainda não fez nenhum macacão do tipo para suas clientes e diz que gosta do visual apenas quando sobreposto com um suéter alguns números maior e com sapatos sem salto (durante o dia) ou com um paletó e sapatos de plataforma com salto (para a noite).
É assim que a socialite de Manhattan Fabiola Beracasa, adepta de longa data da peça usa a sua, embora ela opte por acrescentar uma capa azul clássica da Chanel para ocasiões que exigem mais elegância. Tracy Stern, a badalada criadora do SalonTea, uma linha de chás de alto padrão, usa sua peça com botas e jaqueta de equitação (embora reclame da dificuldade de ir ao banheiro quando usa o macacão).
Robyn Berkley, sócia da empresa de marketing especializada em moda People ́s Revolution, veste o traje (comprado na Capezio) sob vestidos do tipo “chiffon” com cinto ou com uma linda saia Jeremy Scott de cintura alta e botas do tipo de motociclista. Depois de causar impressão com uma peça de estampa preta e branca de Gareth Pugh na Browns Focus, no entanto, Misha Nonoo, coestilista da linha de paletós Nonoo Lyons, usou o traje (com botas até o tornozelo de Nicholas Kirkwood, um cinto de época Alaïa e um anel Solange Azagury- Partridge Hotlips) apenas outras duas vezes. “Há hora e lugar para tudo e não creio que surgiu outra ocasião realmente apropriada”, diz Nonno. “Chamou a atenção um pouco demais para mim.”
(tradução Sabino Ahumada)
Fonte: Valor Online
Tweet para o seu Twitter!